Arquivos de maio 2017

Prazer, eu trabalho com recreação | Fernanda Rodrigues

“Você só brinca, não trabalha?”

Era fim do ano de 2001, e eu estava com 17 anos, terminando o ensino médio, finalizando o curso técnico em Publicidade (estágio, notas e relatórios) e me preparando para o exame de Judô, onde iria na federação prestar o exame para ser uma faixa preta. Tantas coisas para serem encerradas, mas não sabia o que iniciar no ano seguinte. Até prestei o vestibular da Fuvest, mas com a única intenção de treino (Comunicação Social) e lógico que não passei, afinal nem me preparei devidamente para isso, mas fui muito bem em Química.

Fechei as notas, a carga horaria e virei uma shodan, assim entrava no ano de 2012. Com essa salada de frutas de gostos e experiências, sem saber o que ser quando crescer.

Tirei CNH, fiz o Enem e por opinião dos outros e situacional escolhi fazer Educação Física. E foi bom, afinal tinha matérias de humanas que adoro como filosofia e psicologia, além do fato de que é bacana conhecer sobre o corpo humano e praticar esportes. (Okay, talvez entrar na piscina fria e descoberta às 8h00 da manhã, no frio de Bragança Paulista,  fosse difícil). Mas ainda não estava completa, vivia o presente e tirava boas notas, porém não tinha me encontrado.

Foi quando um hotel grande foi inaugurado e surgiu uma seleção para fazer parte do banco de free lancers na recreação. Pensei: Vamos lá ver o que acontece, um dinheiro a mais no final de semana.

Foi quando eu entrei nesse hotel, lindo e com mais de 150 pessoas na seleção que pensei: eu quero ser alguma coisa aqui dentro, tenho que fazer parte disso e fiz… por 8 anos, eu fui de free para fixa, logo mais responsável de faixa etária, conquistei a chefia noturna e cheguei a ser a segunda pessoa no departamento, e a responsável pelo plantão do coordenador de lazer.

Eu encontrei um lugar onde poderia colocar todas as minhas qualidades e interesses em prática, onde eu podia atuar em peças e apresentações, criar atividades e historias, brincar com crianças à senhoras, implantar canal de tv, fazer jornal, cantar com banda, usar mil fantasias, dançar na balada, participar de festas, liderar grupos, de momentos importantes de várias pessoas (falo isso das pessoas que se hospedavam e as que trabalhavam comigo) e de diversas empresas.

É gratificante ver o crescimento de alguém, crescer junto, ser a parte incentivadora, do sorriso, da comemoração, a turma da “bagunça”. Melhor do que encontrar um lugar, foi me encontrar. E não foi naquele hotel especificamente, mas foi aqui dentro do peito, de mim. A recreadora nasceu.

Sei que lazer, recreação, animação ou monitoria é algo que parece simples num primeiro momento, mas por ter tantos nomes e títulos podemos perceber como essa carreira ainda é nova e desconhecida por muitos.

Se nós jogarmos no Google, eis o que obtemos:

Lazer: 1. Tempo que sobra do horário de trabalho e/ou do cumprimento de obrigações, aproveitável para o exercício de atividades prazerosas. 2.p.met. Atividade que se pratica nesse tempo.

Recreação: 1. Ato ou efeito de recrear(-se). 2.m.q. RECREIO.

Animação: 1. Ação ou efeito de dar alma ou vida a. 2.fig. Vivacidade, brilho.

Monitoria: 1. Cargo de monitor (‘auxiliar de professor’, ‘instrutor’). 2.p.ext. o conjunto das funções por ele exercidas.

Com essas definições podemos dizer que: A Recreação acontece no momento de Lazer das pessoas, onde há momentos de Monitoria (locais com brinquedos e atrações) e Animação (onde o recreador é o agente de lazer). Mas acho isso pouco para definição completa. Eu diria que essa profissão tem na sua essência promover sonhos e encantar pessoas. Se você não tocar o coração de outra pessoa, você não está recreando certo.

Agora, em 2017, passei por outras formações, treinamentos e diferente hotéis, e estou coordenadora de lazer onde a cada dia encontro desafios novos, pessoas novas e possibilidades novas. A pergunta: O que eu vou ser quando crescer? Se modificou, agora é: Quem eu vou ajudar a crescer? Com quem eu vou crescer hoje? E a resposta para essas questões e suas variáveis é a felicidade.

• Este artigo representa uma opinião pessoal da autora. Comentários, sugestões e opiniões são bem-vindos, sempre com respeito aos demais.

Fernanda Rodrigues – Coordenadora de Lazer – Hotel Villa Rossa

Uma experiência repleta de oportunidades | Mariana Felitti

Se a experiência hoteleira se inicia desde o momento do primeiro contato do hóspede com o Hotel, até a sua saída – e porque não até a sua chegada em sua casa – sabemos que são inúmeras as chances de que algo não ocorra de acordo com as suas expectativas, e que nem sempre há uma falha do estabelecimento ou dos profissionais envolvidos ocasionando isso.

Atualmente, os hóspedes (e clientes em geral) possuem muito mais informações a respeito dos serviços, estrutura e qualidade antes mesmo do primeiro contato, gerando expectativas cada vez maiores, e trazendo a nós – hoteleiros – o dever de atingir e superar com cada vez mais excelência cada uma delas.

Pensando nisso, não há mais como um hotel ser composto por departamentos que possuem cada um, a sua própria – e única – função. Por exemplo, caso as imagens ou informações disponibilizadas pelo marketing não sejam consideradas satisfatórias, logo na chegada o hóspede experimenta uma sensação de frustração que o acompanhará durante toda a estada e potencializará diversas outras impressões negativas, ainda que não haja motivos aparentes para isso. A mesma coisa se aplica à central de reservas, caso as informações fiquem divergentes do solicitado, e assim envolvemos recepção, governança, manutenção, cozinhas, bares e restaurantes, monitoria e etc.

Os hoteleiros de hoje devem ser capazes de trabalhar para o hóspede, e não somente para o seu departamento, e aproveitar cada contato para ter a sua vez de encantar e superar expectativas. Agregar valor ao produto, com qualidade de atendimento, acolhimento, educação, presteza e atenção aos detalhes é a ferramenta atual de conversão de vendas e fidelização de hóspedes, e cabe a nós desenvolver as habilidades necessárias para perceber que todos os momentos de interação com eles é uma grande oportunidade de perceber as necessidades e desejos e agir para surpreender.

Em um mundo contemporâneo, onde as relações humanas se desfazem com a mesma velocidade de uma inovação tecnológica, os profissionais da hotelaria podem estar um passo à frente para estabelecer contatos duradouros, sustentados pela real vontade de servir e encantar.

Mariana Felitti – Líder de Vendas – Hotel Villa Rossa

Você é feliz no seu trabalho? | Vanessa Sanches

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”
Confúcio

É muito comum nos depararmos com a frase acima circulando pelas redes sociais. Mas, na grande maioria das vezes, isso é possível? Pela minha experiência, posso afirmar que, para a maior parte da população, isso nem sempre é possível. A dificuldade de acesso à educação, a necessidade de sustentar uma família, entre outros fatores, leva muitas pessoas a terem que aceitar um trabalho, um emprego, apenas para sua sobrevivência. Isso leva muitas pessoas a pensarem que só é possível ser feliz no trabalho quando se tem o trabalho dos sonhos. Mas será que é assim mesmo?
Aqui compartilho com vocês minha opinião pessoal: na grande maioria dos trabalhos, é possível sim ser feliz! Porque ser feliz no trabalho depende muito mais de cada um de nós do que de outros fatores. O nosso estado de espírito, a forma como enxergamos o mundo, conta muito mais para que sejamos felizes no nosso trabalho do que qualquer outro fator. Aqui estou me referindo ao trabalho, mas poderia servir para qualquer outra área da vida: nossos relacionamentos, a nossa casa, o nosso carro, nossos filhos…. A felicidade muitas vezes está em parar de fazer comparações, de cobiçar o que está distante, e olhar carinhosamente para o que já temos. O seu emprego pode não ser o melhor do mundo, mas com certeza tem muitas coisas boas: pode ser o salário que é bom ou simplesmente é pago em dia, os benefícios oferecidos, nossos colegas, a distância da sua casa ou o simples fato de ter o emprego! Nós podemos escolher entre agradecer ou reclamar. Cansamos de ver no dia-a-dia pessoas que ocupam a mesma função, realizam o mesmo trabalho, com comportamentos totalmente diferentes em relação ao trabalho: enquanto um só reclama, o outro vive feliz!

E isso, dentro das organizações, tem um papel fundamental: o colaborador que trabalha feliz, normalmente aceita melhor novas atividades, demonstra apreço pelo que faz, tem mais disponibilidade e interesse em aprender, e está aberto a novas oportunidades. Quando surgir uma chance de promoção, quem terá preferência?
Quer um exemplo? Quem não se lembra daquele gari do Rio de Janeiro que trabalhava todos os Carnavais varrendo a avenida e sambando junto com as escolas de samba, o Renato Sorriso? Pois esse é o típico trabalhador que, independente do trabalho que realiza, trabalha feliz. Não quero desmerecer a profissão, que tem todo o meu respeito, e nem sequer o conheço, mas posso dizer que dificilmente ele está atuando no emprego que sonhou quando criança. No entanto, ele poderia estar ali reclamando, principalmente porque todo mundo está ali se divertindo, festejando, enquanto ele está trabalhando! Ele poderia estar infeliz com o tipo de emprego, com o salário, por ter deixado a família em casa, qualquer coisa!! Mas ele estava feliz por estar ali, participando daquele momento, junto com todas as demais pessoas. E quem já leu alguma entrevista dele, vai ver que ele agradece e tem muito orgulho desse emprego, no qual permanece até hoje, apesar da fama. Ele enxerga o seu trabalho como uma forma de sustentar a família, de ter contato com diversas pessoas e de fazer um bem para a comunidade, que é manter a cidade limpa! Sensacional!

Obviamente que, quando me refiro a ser feliz no trabalho, não significa fechar os olhos para as coisas ruins ou erradas que ocorrem no seu ambiente de trabalho, mas sim em saber direcionar corretamente suas energias e as suas ações. Também aqui temos que excluir alguns casos, como de empresas que empregam trabalhadores em condições análogas à escravidão, ou que tem um ambiente de trabalho realmente muito ruim, sem condições seguras, excessivamente insalubres ou perigosas, etc.
Como profissional da área de Recursos Humanos há muitos anos, com vivência em empresas de diferentes setores, posso afirmar sem medo de errar que não existe empresa perfeita, todas têm defeitos. Por isso, não ache que mudar de empresa será a solução para encontrar a felicidade no trabalho, achando que a outra não vai ter defeitos. Provavelmente o defeito que a atual não tem, a outra terá. E aí pode ser mais um motivo para querer novamente trocar de emprego.

Portanto, se você está empregado e está infeliz com seu emprego atual, faça algumas reflexões: o problema está realmente com a empresa? Trocar de emprego é a solução ou terei outras insatisfações que não tenho na atual? É realmente o meu emprego que me deixa infeliz ou existem outros fatores (pessoais, familiares, dívidas, etc.)? Será que não preciso de ajuda profissional para encontrar a minha “felicidade” (psicólogo, consultor financeiro, coaching, etc.)? Devo mudar de carreira, ou até mesmo me tornar um empreendedor? Esses são apenas alguns exemplos, pode ser necessária uma análise muito mais profunda.

E para finalizar: as empresas podem e devem tomar ações para tornar o ambiente de trabalho melhor e mais feliz. Mas a felicidade é uma experiência individual, cabe a cada um de nós identificar e direcionar nossas ações, comportamentos e pensamentos para vivermos felizes, em quase todas as situações. Pode ser difícil, mas não impossível.
Durante um curso que realizei há algum tempo, ouvi uma frase que não me esqueci mais: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Um dos participantes, com uma doença degenerativa nas juntas dos ossos, esteve presente ao curso durante todos os dias. Sentia dores terríveis, andava com a ajuda de uma bengala. Poderia estar em casa, sofrendo sozinho. Mas escolheu estar ali, aprendendo, conhecendo novas pessoas, dividindo sua experiência, conhecendo outras histórias de superação. E sempre com um grande sorriso no rosto.

• Este artigo representa uma opinião pessoal da autora. Comentários, sugestões e opiniões são bem vindos, sempre com respeito aos demais.
Vanessa Sanches – Gerente de Recursos Humanos – Hotel Villa Rossa